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Graphic novels ou as boas e velhas histórias em quadrinhos

Taís Veloso

Já faz algum tempo que não é mais possível afirmar que a leitura de histórias em quadrinhos deve ser indicada apenas para crianças e pessoas com “baixo nível cultural” por conta de sua facilidade e de sua acentuada linguagem gráfica e cenários coloridos. Os mais recentes estudos sobre o gênero já reconhecem que é necessário um grande domínio das linguagens verbal e não-verbal e um bom conhecimento empírico para decifrar e entender tudo o que é comunicado naqueles traços.

Como Eisner (2005, p. 8) afirma, a partir dos anos 60, pode-se perceber que os quadrinhos passaram a buscar temas que eram típicos do cinema e do teatro, lidos também na literatura prosaica e lírica. Hoje podemos falar do advento das graphic novels, que tiveram um grande impacto no mercado cultural. Quanto a este novo cenário, Eisner (2005, p. 8) sugere que “As graphic novels com os chamados ‘temas adultos’ proliferaram e a idade média mudou, fazendo com que o mercado interessado em inovações e temas adultos se expandisse”.

Podemos citar dois exemplos de autores que trabalham desta forma: o brasileiro Lourenço Mutarelli, que, além de cartunista, já atuou como cineasta, roteirista e autor de romances, e a francesa Julie Maroh, que atualmente se dedica aos quadrinhos.

Ambos possuem estilos muito distintos, principalmente nos livros a serem abordados aqui: Desgraçados, do brasileiro, e Azul é a cor mais quente, título traduzido da obra da francesa. Enquanto Maroh buscou retratar as relações adultas e a questão da sexualidade e de gênero de maneira romântica e leve, Mutarelli traz o tema das relações humanas e da imprevisibilidade da vida de maneira cruel e esmagadora. Tudo isso é perceptível não apenas através da leitura dos diálogos, mas de como observamos o traço, a tipografia e a colorização das páginas. No caso de Mutarelli, observamos um constante preto e branco e personagens desenhados de maneira crua e um tanto disforme. Já no texto de Maroh, vemos a presença da cor azul e um traço mais leve, próximo de proporções humanas reais.

Com isso, pode-se ter uma rápida visão da temática e da produção destas obras. Fica ao leitor do blog a indicação de leitura de ambos os autores, para que possam, assim, tirar as suas próprias conclusões.

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Desgraçados – Lourenço Mutarelli

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Azul é cor mais quente – Julie Maroh

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