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Diego Moraes: uma carreira construída à margem

Por Marília Costa

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A internet é na contemporaneidade um veículo fundamental para a transmissão de informação e os escritores do século XXI têm utilizado essa ferramenta para divulgar os textos e também como suporte literário. Desse modo, as redes sociais servem como arquivos on-line para as produções literárias atuais e como mecanismo publicitário. Por conta disso, tornou-se possível conhecer novos autores e mergulhar em suas obras virtualmente.

É o caso, por exemplo, do autor que gostaria de comentar hoje. Diego Moraes, nascido e crescido no Amazonas, resolveu tentar a vida em São Paulo para viver uma história de amor que não deu certo. O romance acabou e o escritor passou a morar nas ruas, mais especificamente na Praça da Sé, pedindo esmolas e usando crack até ter coragem de entrar em contato com a mãe e voltar para sua terra natal. Moraes estudou apenas até a sexta série do ensino fundamental, concluiu o ensino médio através do supletivo e não teve acesso à universidade.

Ao retornar para o Amazonas, Diego Moraes publicou o seu primeiro livro “Fotografia do meu antigo amor dançando tango”, escrito no período em que viveu nas ruas de São Paulo e impresso em casa na gráfica do próprio pai. A carreira de escritor começou de maneira marginal e clandestina e foi ganhando espaço na cena literária por meio das redes sociais alimentadas pelo autor (Facebook e Twitter).

Atualmente, o autor mantém o blog Urso Congelado com textos em verso e prosa. Em 2015 foi um dos escritores convidados a participar da Balada Literária em São Paulo e retornou para a metrópole como uma promessa da nova literatura. Entretanto, busca assumir a postura de quem prefere estar à margem dos grandes centros literários, publicando seus livros (cujos títulos mereceriam um post à parte) por editoras independentes:  “A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator” (Ed. Bartlebee); “Um bar fecha dentro da gente” (Ed. Douda Correria); “Eu já fui aquele cara que comprava vinte fichas e falava eu te amo no orelhão” (Ed. Corsário Satã); “Meu coração é um bar vazio tocando Belchior” (Ed. Penalux). Além disso, Diego Moraes idealizou e organizou a primeira Feira Literária Virtual pela Flipobre – a Flica dos escritores pobres, demonstrando disposição para criar um circuito diferenciado em relação ao mainstream literário.

Leitor ávido de Charles Bukowski, Pedro Juan Gutiérrez, John Fante e Plínio Marcos, o pujante escritor Diego Moraes é influenciado pela cultura pop, sem medo de escrever o que pensa e sente, tem um estilo literário intenso e feroz, um lirismo marcante e uma escrita prosaica em ritmo poético ou vice versa. O autor acredita que a solidão e infelicidade servem como material literário para produzir bons textos. Em um viés autoficcional as temáticas das suas obras passeiam pelas decepções amorosas, drogas e solidão: “Se você não melhorar sua literatura com um chifre, não é com oficina literária do SESC que aprenderá a escrever.”, afirma de forma polêmica e divertida.