“Troque o jornal pelo e-mail”

Por Nivana Silva

Tabula Rasa_Charles Sandison

Créditos da Imagem: Charles Sandison – Tabula Rasa

Em seu recente post sobre as intrincadas relações entre autores e editores, Neila Brasil comenta o fenômeno da autopublicação por meio das plataformas de financiamento coletivo para observar como a atividade editorial vem sendo impactada pelas novas tecnologias. Podemos dizer que a Internet configura-se como um lugar profícuo para os escritores do contemporâneo, seja no que diz respeito à circulação e publicação independente, seja em relação à divulgação de suas obras e à possibilidade de estreitar o diálogo com o público leitor.

Nesse cenário, o escritor, iniciante ou não, pode encontrar vantagem nos espaços virtuais para que seu trabalho circule, sobretudo se contar com os meios para alcançar leitores através da rede. De modo exemplar, nos deparamos com os vários blogs de literatura que também são, hoje em dia, interessantes veiculadores do que é produzido na contemporaneidade. Alguns deles, já citados aqui (como em um post de Davi Lara),  dedicam-se ainda à crítica e à tradução, estreitando os laços entre o leitor e a emergente produção do nosso tempo.

Contribuir para essa aproximação parece ser uma das propostas do projeto “Para ler escritoras”, que, recentemente, foi bastante compartilhado nas redes sociais. Idealizado pela escritora e professora curitibana Gabriela Ribeiro, a iniciativa nasce com o objetivo de divulgar a literatura contemporânea de autoria feminina, recebendo textos escritos por mulheres que, em seguida, são enviados, semanalmente, aos leitores que cadastram seus e-mails na página do projeto, cuja frase de abertura, “Troque o jornal pelo e-mail”, sinaliza a influência do meio digital sobre os tradicionais suportes e formas de leitura. A cada domingo, então, um novo texto ficcional chega à caixa de entrada do usuário, que também pode submeter textos à curadoria do “Para ler escritoras”, conforme informação na nota de rodapé das mensagens.

Até o momento, os contos de Natalia Borges Polesso, Moema Vilela e Sheyla Smanioto foram encaminhados ao correio eletrônico dos leitores cadastrados e as produções ficam disponíveis também on-line. As três autoras dividem a experiência de já terem livros publicados, serem finalistas de importantes prêmios literários e graduadas ou pós-graduadas em Letras e, apesar da incipiente carreira literária e do desconhecimento de suas obras por um público mais amplo, o compartilhamento de suas produções nas mídias digitais pode contribuir para a circulação de seus nomes como autoras.

A proposta de Gabriela Ribeiro faz parte de um empreendimento maior, a Escola de Criação Ficcional Escrevo, sediada em Curitiba, que oferece cursos da chamada escrita criativa. No site da escola, em que é possível encontrar detalhes sobres as aulas, informações sobre a Escrevo e alguns textos variados na sessão “Etcetera”, temos o link para acessar o “Para ler escritoras” e registrar o e-mail. Se não podemos identificar exatamente uma relação direta entre o suporte de publicação e a produção dos textos, já que dois dos textos ficcionais enviados ao e-mail dos leitores fazem parte de livros já publicados em papel pelas autoras, o projeto é uma indicação de que as plataformas virtuais podem ser exploradas para novas formas de divulgação literária e buscam conquistar novos e outros leitores.

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