Literatura (em meio) digital

Por Sérgio Santos

Fonte da imagem: https://goo.gl/p97jvD

O mundo digital possui uma vasta nomenclatura. São termos que surgem a cada dia, como “gadgets”, “widgets”, “wearables”, “templates” etc., sem falar em nomes de unidades de medidas, como “tera” e “nano”, que fazem com que um leigo consiga entender suas dimensões de grandeza, mas que, cognitivamente, muito provavelmente não conseguirá quantificá–los com precisão.

Quando a arte é feita em meio digital, usa-se o termo genérico “arte digital” para designar a arte produzida naquela linguagem. Quando a literatura é digital faz-se o mesmo. Assim, essa literatura é aquela “nascida no meio digital, um objeto digital de primeira geração criado pelo uso de um computador e (geralmente) lido em uma tela de computador”, segundo a pesquisadora em literatura eletrônica Katherine Hayles. A literatura digital é própria das mídias digitais, pois utiliza ferramentas das novas tecnologias como animações, multimídia, hipertexto,(aqui, um exemplo: http://pontos.wreading-digits.com .

Muitos livros impressos, antes de chegarem às livrarias, passam por um processo de digitalização através do uso de vários mecanismos típicos da Rede, mas Hayles defende que a literatura que não é produzida exclusivamente na e para a Rede deve ser chamada de “literatura digitalizada” ou “literatura em meio digital”.

A bibliografia teórica produzida sobre o tema vem crescendo. Embora seja interessante pensar obras produzidas na e para a rede, também pode ser instigante pensar as obras que apenas circulam na rede, fazendo da internet um suporte de publicação ou circulação da obra e do nome do autor. Será possível que essas obras produzidas “em meio digital”, segundo a nomenclatura de Hayles, podem mostrar transformações motivadas pela presença dos mecanismos próprios à rede em nosso cotidiano?

Há uma longa tradição na teoria literária de se pensar a literatura com relação às demais artes. Seria possível ler a literatura “em meio digital” a partir dos estudos que consideram as obras de arte digital, ou seja, aquelas produzidas na e para a rede?

Um elemento que instiga essa possibilidade diz respeito à participação do leitor na leitura de obras digitais. Dereck de Kerckhove, um pesquisador do tema, afirma que enquanto o livro impresso sai das páginas para dentro do leitor, na literatura digital o leitor faz o caminho inverso, ele “salta” para a tela. Esse novos leitores passam por um processo chamado “e–letramento”, que, como o nome sugere, é um letramento eletrônico que os capacita como usuários das ferramentas necessárias para a navegação pelos hyperlinks, o que altera sua forma de ler a literatura “em meio digital”, defende Kerchkhove.

Assim, percebe-se que as mudanças na produção e na recepção de obras digitais apontam para novas formas de ler a literatura, seja ou não aquela produzida na e para a rede, e talvez, em virtude disso, precisemos de novos pressupostos teóricos para compreendê-la.

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