Dois sites de poesia

Maluda_duas_Janelas

Por Davi Lara

Quem circula em meios literários já deve ter ouvido inúmeras vezes que a internet é um grande facilitador na hora de um escritor divulgar sua obra e que esta ferramenta é ainda mais valiosa para os escritores iniciantes. O escritor que está iniciando a carreira tem hoje na era digital um poderoso suporte para circulação e publicação de sua obra. Mas o que é mais difícil de ouvir é que, se hoje as oportunidades para um escritor publicar e divulgar a sua obra usando o espaço virtual aumentaram, também aumentaram as chances de que ele fique perdido no oceano de novos autores que, como ele, estão lançando suas obras na rede. Assim, além de publicar e de divulgar, o escritor que queira se utilizar dessa ferramenta fascinante que é a internet precisa achar os meios para que sua obra chegue ao leitor. É nesse contexto que surgem, hoje, espaços virtuais que acabam ocupando esse papel, como uma espécie de vetor aonde o leitor pode ir em busca de novidades. É nesse sentido que eu gostaria de destacar, no post de hoje, dois blogs que serviram para mim, em meados de 2013, quando os conheci, como uma ponte com o que estava se passando atualmente, com o que os escritores pensavam sobre assuntos diversos, quais questões os inquietavam e, sobretudo, o que eles estavam produzindo. São estes blogs: o Escamandro e a revista Modo de Usar & Co. Ambos dedicados à tradução, crítica e divulgação de poesia.

O Escamandro está na rede desde 2011, é editado por Adriano Scandolara, Bernardo Lins Brandão e Guilherme Gontijo Flores, os três poetas e tradutores, os dois últimos professores universitários (Vinicius Ferreira Barth atuou no blog de 2011 a 2013). Já a Modo de usar & Co. é mais antiga, iniciou seus trabalhos em 2007. É editada, em sua versão digital, por Angélica Freitas, Marília Garcia e Ricardo Domeneck, todos poetas e tradutores. Desde o inicio de suas atividades, o site esteve relacionado à revista impressa, que tem, além dos nomes já mencionados, o poeta Fabiano Calixto na edição, e já está no quarto número. O que já é uma coisa que a diferencia do Escamandro, que nasceu exclusivamente como um blog e só publicou uma versão impressa em 2014, tendo o número dois sido publicado neste ano. Essa diferença se acentua ainda mais quando percebemos que a Modo de Usar & Co., mesmo na versão digital, se autodenomina revista e não blog. Isso se deve, ao que me parece, à intenção dos editores de dar à Modo… ares de “manifesto”, como fica claro desde o texto de divulgação do número de estreia, onde termos como “assume sua posição”, “intervenção” ao lado de menções ao “cenário contemporâneo” e aos “parâmetros críticos vigentes” ocupam um lugar de destaque. A Escamandro, ao seu turno, possui um discurso menos intervencionista, por assim dizer, assumindo o formato blog com tudo o que ele traz junto.

Salvaguardadas as diferenças, gosto de pensar os dois espaços como portais onde se pode entrar em contato com uma gama variadíssima de ideias e informações sobre a poesia. Um dos grandes atrativos que esses endereços eletrônicos trazem para o leitor curioso do que está sendo feito agora é servir como um espaço de reunião de diversos escritores que estão começando. Gosto em especial de acompanhar os poetas da minha geração ou de uma geração próxima, nascidos na transição democrática na década de 1980, nos quais é possível ver a construção de uma poética relacionada às questões históricas que todos nós compartilhamos, sob diferentes perspectivas. Além disso, tanto o Escamandro como a Modo de Usar & Co. são grandes  portais de poesia em geral, com autores de todos os tempos, do Brasil ou do estrangeiro, abrangendo um leque amplo de poéticas, de modo a atender a orientações e gostos igualmente diversificados. Eu mesmo descobri algumas pérolas nestes espaços. É interessante ressaltar também o trabalho de comentário e crítica, bastante intenso no Escamandro, bem como no Modo de Usar & Co.

O fato de ambos os sítios se concentrarem na poesia me parece de grande importância. Ainda que a internet mimetize o ritmo da sociedade capitalista com o qual a poesia se incompatibiliza, é no espaço da rede que podemos encontrar espaços de divulgação como os aqui em questão e que podem ser lidos como polos de resistência ao sistema de subvalorização da poesia no mercado contemporâneo.

Por ora, isso é o que o que tenho para dizer sobre esses dois sítios. Agora é hora de deixar que eles falem por si mesmos:

https://escamandro.wordpress.com/

http://revistamododeusar.blogspot.com.br/

 

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2 Respostas para “Dois sites de poesia

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