AGENTES LITERÁRIOS: O TRABALHO ALÉM DO PONTO FINAL

agente literario

Por Neila Brasil

“Lucia Riff – Agência Riff” é nome da agência que representa a escritora Adriana Lisboa no cenário nacional. Nos Estados Unidos, Jonah Straus/Straus Literary é o responsável por cuidar da carreira da autora, que também é representada pela agente literária Nicole Witt segundo o site. Ainda não há muitos agentes literários no Brasil, mas alguns escritores contemporâneos já contam com a assessoria desses profissionais. Neste post, eu gostaria de comentar qual a importância do agente literário na carreira de um escritor, trazendo para o centro da nossa discussão a carreira literária de Lisboa.

As reflexões sobre o agente literário no Brasil constituem um tema muito novo. Em termos gerais, podemos definir o agente ou a agência literária como um profissional ou empresa que atende os escritores apresentando os textos destes a outros editores, fazendo a “propaganda” de sua produção. Uma grande parte dos agentes considera a própria função como uma espécie de administrador da carreira de seus escritores. Preparar propostas e originais para avaliação, divulgar, vender, administrar direitos e carreiras são atividades desempenhadas por agentes – Trata-se de auxiliar a construção de uma carreira. Na maioria das vezes, agentes experientes e com bons antecedentes tendem a ser ouvidos com mais entusiasmo pelos editores do que agentes com pouca experiência, que estão batalhando para consolidar seu nome.

Para falar como John Thompson, autor de Mercadores da Cultura, “o agente é aquele que conhece as regras do jogo”. E conhecendo as regras do jogo, ele cuida melhor do interesse dos autores que representa. Podemos pensar que a contratação de um agente literário é um passo importante para a profissionalização do escritor. No caso de Adriana Lisboa é possível relacionar a relativa internacionalização de seu nome, garantida por meio das traduções de seus livros, e a boa recepção a sua obra no contexto nacional com a atuação de seus agentes literários. Os agentes bem conhecidos podem ajudar seus autores na construção de uma carreira literária de sucesso e, ao mesmo tempo, ampliar seus contatos, que são fortalecidos quando se trata de “vender” as propostas para as editoras.

O jeito como se apresenta um autor pode ser tão importante quanto o jeito como se apresenta um texto – o que esse escritor tem a dizer. Assim, entrevistas em programas de televisão, reportagens de jornal, declarações em festas e eventos literários, resenhas, biografias, fotos em revistas, tudo isso compõe a plataforma do autor, que também se amplia com sua participação/atuação em sites, blogs e redes sociais.

No Brasil, agentes literárias como Lucia Riff pretendem agenciar autores a longo prazo, esperando que a relação entre ambos, agente e autor, possa render bons resultados. Já para os autores, lidar com agentes facilita o processo de negociação, porque estes sabem como negociar com as editoras e, ao mesmo tempo, promover os escritores.

Encontrar um bom agente é algo traiçoeiro e com frequência depende de uma indefinível mistura de boas relações, boa química e boa sorte“, afirma Thompson.

Podemos, então, arriscar dizer que a emergência da figura do agente literário é uma evidência da era da profissionalização do escritor.

(uma entrevista com Lucia Riff pode ser conferida aqui: http://www.agenciariff.com.br/site/videos)

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4 Respostas para “AGENTES LITERÁRIOS: O TRABALHO ALÉM DO PONTO FINAL

  1. Neila Brasil, de fato, o/a agente literária/o é uma parceria e tanto. Um papel importante dentro do campo literário e das “Regras da Arte”. Fiz uma pesquisa sobre o assunto alguns anos atrás e obtive algumas constatações: Há uma falta muito grande de agentes literários tanto no Brasil quanto em muitos países da América Latina em relação à demanda de trabalho. Na UFRJ participei de uma mesa de debate com Lucia Riff, e ela dizia que essa pouca demanda tem a ver com a busca exacerbada por resultados imediatos e pela impaciência por parte de alguns agentes que iniciam suas carreiras e em pouco tempo desistem devido essa impaciência e essa busca exagerada por resultados imediatos… “Neste cenário é preciso foco, estratégias e muita muita paciência”. Do contrário tudo pode descer pelo ralo. Tudo isso também é válido para as editoras. A história de Lucia Riff é incrível: quando ela começou sequer tinha um computador para trabalhar; foi montando aos poucos com a ajuda do filho: “um monitor velho aqui, um HD empoeirado ali, depois um mouse velho e finalmente um teclado gasto, pronto!, agora já posso começar a trabalhar”. Certa ocasião Lucia Riff apresentou um autor para o cenário literário internacional, um autor que sequer era conhecido no Brasil, jamais foi escrito uma única linha sobre algum trabalho literário seu, jamais ganhou prêmio algum, todavia, ela preparou um texto de apresentação com muito capricho sobre o trabalho literário do autor e suas afinidades eletivas, seu livro foi vendido para 17 países, simples assim!!! Hoje a gente sabe quem é Lucia Riff no cenário literário nacional e internacional, ou pelo menos alguns sabem. Essas mesmas impressões de Lucia Riff também foram ratificadas por Nicole Witt em um outro evento que participei em Salvador dois anos depois…Tentei fomentar esse debate em alguns espaços mas coisa andou de ladeira abaixo. Abração. Bom dia! m.t.

  2. Legal, Neila. A busca de um agente literário é uma estratégia que os escritores brasileiros devem cogitar com seriedade, embora não seja algo tão comum quanto é nos Estados Unidos. A questão é que conseguir um bom agente literário não é algo simples; os agentes brasileiros “consagrados” raramente trabalham com autores iniciantes. Então não é só querer ter um agente, é o agente querer representar seu trabalho. Dá uma olhada nesta matéria com Marianna Teixeira Soares, da MTS agência de autores, sobre o trabalho como agente e, também, sobre a relação com novos escritores. ( http://oglobo.globo.com/cultura/marianna-teixeira-soares-agente-literaria-dos-novos-autores-12175428 )

  3. Assim a gente vê quantas possibilidades há na nossa área né? Acho que eu seria uma ótima agente.

  4. Como disse Tom, em comentário ao post de Neila, a figura do agente é relativamente nova em nosso campo literário e por isso também é difícil um agente aceitar cuidar da carreira de um autor iniciante que não tem ainda capital simbólico no mercado das letras para negociar sua produção. O exemplo de Mariana Soares é uma exceção à regra, mas é sintomático de algo que é comentado por Bourdieu em seu As Regras da Arte, citado no comentário de Marcos: quando uma editora ainda sem catálogo (ou pelo menos com um catálogo que não forja reconhecimento cultural suficiente para o editor) aposta em um escritor desconhecido está comprando um risco, mas também está fazendo um investimento em um autor e uma obra que pode se reverter em capital simbólico (e financeiro, for sure) para a própria editora. A mesma operação está em jogo na relação agente-autor. Contando com sua experiência anterior como editora, Mariana Soares aposta, agora como agente, em contribuir para a construção da carreira literária de autores que querem ocupar um espaço nas regras do jogo do espaço literário.

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