Um olhar sobre Laub e seus escritores ficcionais

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Por Rodrigo Estevão

Todo último trimestre do ano, a Pró-Reitoria de Pesquisa da UFBA promove um seminário de pesquisa (o SEMPPG) para dar oportunidade aos pesquisadores de apresentarem os trabalhos desenvolvidos. Este ano apresentarei minhas considerações finais (que nunca são tão “finais” assim) a respeito da minha pesquisa desenvolvida em 2013/2014 sobre o escritor Daniel Galera e seus (personagens) escritores ficcionais.

Esse é um momento importante, especialmente para mim, pois na segunda etapa da minha pesquisa, mantenho meus pressupostos, mas mudo o autor. No período 2014/2015, meus olhos, atentos, voltam-se para Michel Laub, porto alegrense que já conta com seis romances publicados. Aliás, em entrevista disponível na internet, o escritor se diz um “novelista que é um contista estendido”, brincando com o fato de seus livros serem vendidos como romances, quando, segundo ele, têm o formato mais próximo do gênero novela.

Na mesma entrevista, conta que considera quase um elogio quando a crítica aponta em seus romances um veio autobiográfico, pois encara essa mistura entre o ficcional e o biográfico como um jogo, já que garante que ninguém conhece muito bem sua vida para se certificar da verdade ou não da presença desses elementos em seus romances

Em seu romance de estreia, Música Anterior,  o narrador-personagem é formado em direito, assim como o próprio Laub. No entanto, lendo a ficção e considerando os depoimentos dados pelo autor em entrevistas, notamos que o dado sofre uma transformação: o narrador-personagem se tornou juiz logo após se formar e fazer concurso público. Em entrevistas, o escritor afirma que  mesmo quando estudava direito, não se via como alguém com vocação  para fazer concurso público, o que o levou a iniciar o curso de jornalismo. Ou seja, à primeira vista, o texto se faz aparentemente autobiográfico, aos poucos, contudo, permite afastar-se dessas marcas.

Talvez por isso o escritor pareça empolgado ao contar que Immaculée Ilibagiza foi uma entrevistada sua e se tornou uma personagem de um dos seus romances. Lendo resenhas a respeito dos livros de Laub, constatei a recorrência dessa representação: o escritor é constantemente evocado na obra de Michel Laub. Traçar os perfis desses escritores ficcionais é uma das propostas da minha pesquisa.

Se o leitor acessar o link que segue abaixo, poderá conferir Michel Laub – ele próprio um autor-personagem?-  atuando na cena literária para falar de si, de sua obra e das demais engrenagens que põem o campo literário a funcionar.

 A Nova Literatura Brasileira – Michel Laub, por Sempre um Papo, em 03/02/2014: https://www.youtube.com/watch?v=moix-A9eoGc

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